Recomeçando profissionalmente | Aloitan alusta ammatillisesti

Você idealiza uma coisa, mas a realidade é outra. Começo assim o post de hoje, porque estou numa correria danada com um curso novo, pra uma profissão nova. Por quê? Já vou explicar.

Acontece que quando você começa a namorar um estrangeiro, muitas coisas passam pela sua cabeça, inclusive o lado profissional. Claro que o sentimento pesa mais, e por isso a gente faz essa mudança tão grande de deixar o país de origem pra ir a um lugar novo, onde tudo é novo. Mas a verdade é que a realidade, não somente minha, mas de muitas estrangeiras (especialmente as esposas de finlandeses, sem dados científicos, mas pelo que tenho observado) é recomeçar profissionalmente do zero.

No meu caso, sou psicóloga e estava bem profissionalmente no Brasil, trabalhando com Recursos Humanos e Psicologia Organizacional. Idealizei que, chegando aqui na Finlândia iria ser difícil no começo, mas que talvez encontraria uma vaga de assistente. Quero dizer, estava disposta a como que diminuir meu nível profissional, afinal estaria num país novo e tal.

A verdade é que: leva um tempo pra todo o processo do visto de permanência acontecer, daí você entra num programa pra aprender o idioma (bem pensado, é ótimo!) e ao final você tem a opção de trabalho ou estudo. Se optar pro trabalho, você tem uma dificuldade, como muitas de minhas colegas vêm enfrentando: raramente uma empresa contrata um estrangeiro sem fluência em finlandês (e olha que uma das minhas colegas mora aqui há 7 anos e meio e arrasa no idioma) e eles preferem os candidatos finlandeses aos estrangeiros. No meu caso, tenho a graduação e a pós graduação no Brasil, mas daí descobrir que pra trabalhar aqui como psicóloga, preciso ter o mestrado e fazer a prova da Valvira, uma instituição que é responsável por todos os profissionais de saúde, e a prova é toda em finlandês e é uma prova bem difícil. Daí sua opção é estudar, daí você pensa: então vamos pra um mestrado. Só que aí, a partir deste ano, os estrangeiros pagam para estudar na Finlândia, algo em torno de 30 mil Euros por ano, e, no meu caso, os cursos são somente em finlandês. Meu finlandês está num nível razoável, mas nem de perto suficientemente bom pra um vocabulário técnico, profissional e/ou científico. Então eu decido que vou esperar até ter a cidadania finlandesa e experimentar algo novo enquanto isso.

Em agosto comecei um curso para estrangeiros, que traduzido seria mais ou menos “informações básicas e habilidades no setor de cuidados”. São 5 meses de curso, 7 horas por dia, de segunda a sexta e é somente uma visão geral para depois começar um curso profissionalizante, pelo menos mais 2 anos, para as profissões de “HOITAJA”, que envolvem os cuidados com cliente ou paciente, por exemplo, enfermeira, cuidadora, auxiliar de escola e muitas outras que não encontramos pelo Brasil.

O curso é bom, aprendi muitas coisas e palavras novas. Escolhi este porque, de certa forma, está bem próximo da Psicologia. Mas a verdade é que aquela sensação de um retrocesso na vida profissional é constante e cabe somente aceitar que esta é a sua realidade agora. A verdade é que, pelo que tenho visto, as burocracias e, principalmente, o idioma fazem com que bons e experientes profissionais comecem do zero. Então são engenheiros, contadores, advogados ou, no meu caso, psicólogos estudando para serem motoristas, auxiliar de estoque, auxiliares de cozinha, cuidadores e auxiliares de limpeza (e sim, estudando porque para todos existe um curso profissionalizante requerido para o trabalho).

Não estou reclamando. Acho que talvez até aconteçam casos em que uma pessoa venha pra um país novo (por motivo de casamento) e encontre um emprego na área. Mas encarando as coisas como são, acredito que, ao invés de idealizar ser vista como uma profissional de sucesso é melhor aceitar que o mais provável é que você vai acabar como uma simples estudante novamente, recomeçando profissionalmente, e isto faz parte da sua adaptação ao país novo.


EN

You idealize one thing, but the reality is totally different. So I’m in a hurry with a new course, for a new profession. Why? I’ll explain.

It turns out that when you start dating a foreigner, many things go through your head, including the professional field. Of course the feeling is the biggest reason and is really important, and that’s why we make such a big change in our lives and we leave our country to go to a new one, where everything is new. But the truth is that the reality, not only mine, but of many foreigners (especially the wives of Finns, not officially information, but from what I have been observed) is to restart professionally from scratch.

In my case, I am a psychologist and for me was everything going very well professionally in Brazil, I was working with Human Resources and Organizational Psychology. I idealized that getting here in Finland would sure be difficult at first, but that I would find an assistant vacancy. I mean, I was willing to lower my professional level, but keep it closer or easier, so to say, I clearlt understood that I would be in a new country and such.

The truth is that: it takes time for the entire visa process to happen, so then you go into a program to learn the language (of course, and it’s a great thing for us!) and at the end you have the option of go to work or to study. If you choose go to work, you have some difficulties, as many of my colleagues have been experiencing: rarely does a company hire a foreigner without fluency in Finnish (and one of my colleagues has lived here for 7 years and a half and she speaks a very fluent Finnish), also they would prefer Finnish candidates to foreigners. In my case, I have study Psychology and also postgraduate degrees in Brazil, but then I find that to work here as a psychologist, I need to have a master’s degree (what I don’t have) and make this test for Valvira, an institution that is responsible for all health professionals, the test is all in Finnish and is very difficult. Then if your choice is go to study, then you think: alright, let’s start a master’s degree. Except that, starting from this year, foreigners might pay to study in Finland, something over 30 thousand Euros per year, and in my case, the courses are only in Finnish. My Finnish is not bad, but not nearly good enough for a technical, professional and/or scientific vocabulary. So I decide that I will wait until I have the Finnish citizenship and try something new in the meantime.

In August I started a course for foreigners, which translated would be something like “basic information and skills in the health care (or nursery) sector”. There are 5 months of course, 7 hours a day, from Monday to Friday and it is only an overview that you are able to then start a vocational course, at least another 2 years, for the “HOITAJA” professions, which involve client or patient care, for example, nurse, caregiver, school assistant and many others that we do not find in Brazil.

The course is good, I’ve been learn new things and lots of new words in Finnish. I chose this because it is very close to Psychology. But the truth is that the feeling of a lower in professional life is constant and the only thing to do is to accept that this is your reality now. The truth is that, from what I’ve seen, bureaucracies and especially language skills make good and experienced workers start from scratch. So they are engineers, accountants, lawyers or, in my case, psychologists studying to be drivers, cleaners, kitchen assistants, nurses and cleaning assistants (and yes, studying a vocational course is required for ajob).

I’m not complaining. I think there might even be cases where a person comes to a new country (for reason of marriage) and finds a good job in the same field. But looking at things as they actually are, I believe that instead of idealizing being seen as a successful professional it is best to accept that the more likely you will end up as an ordinary student again, starting over professionally, and this is part of your adaptation to the new country.