Experimentei mais uma receita tradicional finlandesa | Kokeilin perinteistä suomalaista reseptiä

PT

Atendendo a pedidos (especialmente do marido), resolvi testar mais uma receitinha finlandesa. Fiz o tal do “kaalilaatikko”, que eu resumiria arroz com carne moída e repolho gratinado, ou algo assim.

Eu não sei exatamente o motivo, mas nessa região norte da Europa, ali desde a Alemanha até por aqui, come-se bastante repolho. Principalmente em salada, fermentado e tal. Mas assim feito no forno, foi a primeira vez que fiz e que comi. Achei interessante, prático, fácil e gostoso.

Então, vamos à receitinha? Fiz uma receita que dá tranquilo para umas quatro pessoas.

Ingredientes
1 repolho médio (mais ou menos 1kg)
400g carne moída
200g de arroz (usei o arroz integral, mas a receita é com o arroz branco mesmo)
1 cebola pequena
2 dentes de alho
1 colher de sopa de mel
2 xícaras de chá de caldo de carne
manjerona, sal e pimenta do reino

Modo de Preparo
Já corte o repolho, pode ser fatiado ou picadinho, como achar melhor. Prepare o arroz normalmente. Aqueça o forno a 200 graus. Numa frigideira, frite metade da cebola e os dentes de alho picadinhos, preferencialmente na manteiga. Adicione a carne moída. Quando já estiver no ponto, reserve. Na mesma frigideira, doure a cebola na manteiga, adicione o repolho e, quando este já estiver cozido, coloque num refratário que irá ao forno. Misture o repolho com a carne moída e o arroz, adicione o mel e o caldo de carne. Leve ao forno por aproximadamente 40 minutos a uma hora e pronto.

Ah! E geléia de lingonberry acompanha muito bem! Bom apetite!


EN

In response to requests (especially from my husband), I decided to test one more Finnish recipe. It calls “kaalilaatikko”, in Finnish, which I would say is basically rice with ground beef and cabbage gratin, or something like it.

I don’t know exactly the reason, but in this northern part of Europe, from Germany to here, cabbage is very often eaten. Mostly in salad or fermented. But this one made in the oven, it was the first time I did and I ate it. I found it interesting, practical, easy and yummy.

So, let’s go to the recipe? I made a recipe for four people.

Ingredients
1 medium cabbage (about 1kg)
400g ground beef
200g of rice (I used brown rice, but the traditional recipe is with white rice)
1 small onion
2 garlic cloves
1 tablespoon honey
2 cups tea stock broth
marjoram, salt and black pepper

Preparation
Cut the cabbage, it can be sliced ​​or chopped, as you want. Prepare the rice regularly. Heat the oven to 200 degrees. In a frying pan, fry half the onion and garlic cloves, preferably in butter. Add the ground beef. When it’s ready, reserve it. In the same frying pan, brown the onion in the butter, add the cabbage and, when it looks cooked, place in a dish. There you’ll mix the cabbage with the ground beef and the rice, add the honey and the broth. Bake for about 40 minutes to an hour and it’s done.

Ah! And lingonberry jam sides very well! Enjoy your food!

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Mämmi: a amada e odiada sobremesa finlandesa | Mämmi: rakastettu ja vihattu suomalainen jälkiruoka

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Se tem um doce finlandês que está dividido entre os que amam e os que odeiam é o tal do mämmi. Não tem uma cara muito simpática e o gosto dele sozinho, sem mais nada, também não é dos melhores. Geralmente se vende entre janeiro e abril e tradicionalmente se come na época da Páscoa (aliás, se tentar traduzir a palavra no Google Tradutor, aparecerá algo como pudim finlandês de Páscoa), mas ainda é possível encontrar por aqui durante um bom tempo depois.

Como descrevê-lo? É um doce meio pastoso/cremoso, marrom escuro. Parece com isso mesmo que você está pensando… A textura é estranha, mas o gosto é bem similar ao pão de centeio, aquele escuro que se costuma comer por aqui. É feito principalmente de água, malte de centeio e farinha de centeio, também sal, melaço escuro e casca de laranja. Mas, geralmente, se come acompanhado de creme de leite ou leite, às vezes geleia ou açúcar.

Algumas pessoas costumam fazer em casa a receita (minha sogra diz que antes prepara sua própria receita de mämmi), mas a maioria compra pronto nos supermercados. Ainda vou encontrar uma boa receita de mämmi e tentar fazer uma vez, pra ver se dá certo fazer em casa. A verdade é que é uma sobremesa barata e está sempre por ali entre os sorvetes.

Se eu já provei mämmi? Já. É ruim? Não exatamente. Comeria de novo? Talvez. Mas com certeza se tiver aqui em casa, não fui eu que comprei, foi o meu marido tradicionalmente finlandês.


EN

There is a Finnish dessert that is divided between those who love it and those who hate it: mämmi. It doesn’t look very delicious and its taste alone, without anything else, is not the best either. It usually sells between January and April and is traditionally eaten at Easter season (in fact, if you try to translate the word into Google Translate, it’ll come something like Finnish Easter pudding), but you can still find it here for a while after it.

How to describe it? It’s sweet, creamy, dark brown. It looks like this you’re probably thinking… The texture is strange, but the taste is very similar to the rye bread, that dark bread that is usually eaten here. It’s made basically of water, rye malt and rye flour, also salt, dark molasses and orange peel. But usually eaten with cream or milk, sometimes jelly or sugar.

Some people make the recipe at home (my mother-in-law says that she used to prepare her own mämmi recipe before), but most of people buys it in supermarkets. I will still find a good mämmi recipe and try to do it once. It’s a cheap dessert and it’s right there among the ice creams.

Have I tasted mämmi? Yeah. Is it bad? Not exactly. Would I eat again? Perhaps. But of course if you see it here at my place, I was not the one who bought it, most probably it was my husband as a traditional Finnish man.

2 anos de Finlândia | 2 vuotta Suomessa

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Como o tempo voa! Uns dias atrás deixei o Brasil, com ansiedade, expectativa, medo e mais um monte de sentimentos todos misturados. Hoje estou completando dois anos vivendo na Finlândia. Já me sinto em casa por aqui, mas a verdade é que todos os dias aparece alguma coisa nova, alguma palavra nova, alguma cultura diferente. Pois é, nestes dois anos aprendi muito.

Aprendi a nunca subestimar o frio. Às vezes o termômetro diz +3, com sol, mas a sensação é -10 ou o tempo muda… acontece. Sempre bom ter um par de luvas quentinhas, touca e meias de lã, “just in case”. E nunca confie quando a neve começa a derreter, porque pode nevar uma noite e ficar com cara de inverno de novo.

Aprendi que velas, luzinhas e vitamina D ajudam a passar mais facilmente a temporada escura no inverno.

Aprendi a gostar do calorzinho da sauna, da lareira, do aquecedor.

Aprendi que neve dá muito trabalho.

Aprendi a conviver com dias sem sol e noites ensolaradas.

Aprendi a usar coisas de segunda mão. Por aqui as pessoas não têm vergonha ou preconceito em compras de brechós, mercado de pulgas ou ganhar coisas usadas de amigos ou parentes. É comum e estou me adaptando muito bem a isso e, de vez em quando, consigo umas peças antigas bem legais.

Aprendi a botar a mão na massa, pintar paredes, serrar madeira, derrubar chaminés na marreta, na serra elétrica, manusear ferramenta e por aí vai.

Aprendi que, a menos que você queira gastar muitos Euros, é bom que você saiba cuidar das suas próprias unhas, máscaras faciais, cabelos e qualquer outra coisa ligada à estética. Porque por aqui isso tudo é muito caro.

Aprendi a usar menos maquiagem e usar mais rabo de cavalo.

Aprendi a gostar dos meus olhos castanhos.

Aprendi que depois de servir um almoço ou jantar, você tem que oferece café e chá… especialmente café. Ou vai ficar faltando alguma coisa pros seus convidados.

Aprendi que chá e sopa não são tão ruins como eu achava antes. Mas ainda falta aprender a tomar café.

Aprendi que pimentão, por aqui, se come na salada e cru.

Aprendi a usar fogão e forno elétricos.

Aliás, aprendi que não precisa preparar um banquete cheio de opções de carnes, saladas e várias guarnições… salada, batatas e alguma carne é o suficiente.

Aprendi a cozinhar e comer comidinhas tradicionais finlandesas.

Aprendi que não pode sair com o cabelo úmido durante o inverno.

Aprendi que apesar de ser um país pequeno, a Finlândia pode ter vários sotaques diferentes.

Aprendi que ver a aurora boreal não é tão fácil quanto parece.

Aprendi que as crianças podem ser crianças por muito mais tempo do que eu sabia.

Aprendi a respeitar. Afinal de contas, finlandeses gostam do seu próprio espaço e não gostam muito de posar para fotos.

Aliás, aprendi que finlandeses gostam de fotos, mas fotografam somente animais ou natureza.

Aprendi que o Brasil vs. Argentina, por aqui é Finlândia vs. Suécia.

E, por isso, entendi porque, mesmo que seja obrigatório aprender durante a escola, esteja em todos os idiomas e produtos e seja segundo idioma oficial do país, os finlandeses não gostam e dizem que não sabem o idioma sueco.

Aprendi a agradecer o motorista do ônibus.

Aprendi a abastecer o carro.

Aprendi que a internet pode ser bem mais rápida (hehe).

Aprendi cooperatividade. Por aqui as pessoas são bastante cooperativas, de um jeito… eu diria… incomum. As pessoas se ajudam, ao mesmo tempo em que são reservadas. Já ajudei e já fui ajudada por aqui.

Aprendi simplicidade. A decoração nórdica é minimalista, as casas são mais simples, preza-se por um bom sofá, uma mesa pro café, a cafeteira e uma cama boa.

Aprendi que tirar os sapatos para entrar em casa, na verdade, ajuda quem tem que limpar a casa.

Aprendi a viver sem uma lavanderia em casa.

Aprendi que é uma delícia andar sem medo pela floresta, colher cogumelos e berries.

Aprendi que o silêncio no meio de uma conversa não precisa ser constrangedor.

Aprendi que o funeral acontece semanas depois que a pessoa já morreu.

Aprendi, quer dizer, estou aprendendo a costurar, tricotar, tocar ukulele, patinar no gelo e ainda vou tentar esquiar, fazer algum trabalho em madeira e cortar cabelo. Afinal, são coisas que os finlandeses aprendem na escola.

Aprendi muita coisa da língua finlandesa e ainda tenho muito pra aprender.

Aprendi que muita gente não sabe nada do Brasil, mas amam tudo quanto é coisinha  e comidinha brasileira que eu apresento por aqui.

Percebi que ainda têm muitas coisas que ainda não fiz ou não experimentei por aqui.

Aprendi que por mais amigos que eu faça por aqui, o tipo de amizade nunca será como era no Brasil (difícil explicar, mas que mora / ou já morou por essas bandas e não tem contato com outros brasileiros, vai me entender).

Aprendi que mensagens de texto são legais, chamadas de vídeo são uma necessidade, mas nada como visitar os amigos e a família de vez em quando. Então, aprendi que isso  sempre tem que estar nos meus planos.

Aprendi a lidar com a saudade, mas também aprendi que ela nunca vai embora.


EN

Time flies! A few days ago I left Brazil, full of anxieties, expectations, fears and a lot of mixed feelings. So today is the day I am making two years living in Finland. I already feel at home here, but the truth is that every day something new appears, some new word, some different culture. Yes, in these two years I learned a lot.

I learned to never underestimate the cold. Sometimes the thermometer says +3, sunny day, but the feeling is -10 or weather changes… it happens. Always nice to have a pair of warm gloves, hat and wool socks, just in case. And never trust when the snow begins to melt, because it can snow one whole night and look like winter again.

I learned that candles, lights, and D vitamin help to make the dark season much easier to get through in winter time.

I learned to like the warmth of a sauna, fireplace and heater.

I learned that snow means also a lot of work.

I learned to live with days of darkness and also sunny evenings.

I learned to use second-hand things. Around here people are not ashamed or prejudiced in shopping for second-hand stores, flea market or gaining used things from friends or relatives. It’s common and I’m adapting very well to it and, from time to time, I get some nice old pieces.

I learned how to paint walls, saw wood, knock down chimneys by hammer, saw chains, handle tools and so on.

I learned that unless you want to spend a lot of Euros, you might want to take care of your own nails, facial masks, hair, and anything else related to aesthetics yourself. Because everything related to these services here is very expensive.

I learned to use less makeup and use more ponytails.

I learned to like my brown eyes.

I learned that after serving a lunch or dinner, you might have to offer coffee and tea… especially coffee. Or something will be missing from your meal to your guests.

I learned that tea and soup are not as bad as I thought before. But I still have to learn to drink coffee.

I learned that pepper, here, is eaten in the salad and raw.

I learned how to use an electric stove and oven.

By the way, I learned that you do not need to prepare a banquet full of meat options, salads and various side dishes… salad, potatoes and some meat is more than enough.

I learned to cook and eat traditional Finnish food.

I learned that you can’t go out with your hair wet during the winter.

I learned that despite being a small country, Finland may have several different accents.

I learned that seeing the aurora borealis is not as easy as it sounds.

I learned that children can be children for much longer than I knew.

I learned to respect. After all, Finns like their own space and don’t like that much be posing for photos.

By the way, I learned that Finns do like photos, but they photograph only animals or nature.

I learned that Brazil vs. Argentina, is like Finland vs. Sweden here.

And so I understood why, even they’ve to learn during school, even it is in all products and even is the second official language of the country, Finns don’t like the Swedish language.

I learned to always thank the bus driver.

I learned how to fuel the car myself.

I learned that internet can be much faster (hehe).

I learned cooperativity. People around here are quite cooperative, in a way… I would say … unusual. People help each other tho they are reserved. I’ve already helped and I’ve been helped here.

I learned simplicity. The Nordic decor, for example, is minimalist, the houses are much simpler… a good sofa, a coffee table, a coffee maker and a good bed.

I learned that taking off shoes to get in the house actually helps those who have to clean the house.

I learned to live without a laundry room at home.

I learned that it is a delight to walk fearless through the forest, to get mushrooms and berries.

I learned that silence in the middle of a conversation don’ need be akward.

I learned that funeral takes place couple weeks after the person dies.

I learned, I mean, I’m learning how to sew, knit, play ukulele, ice skating, and still want to try skiing, doing some woodwork and cutting hair. After all, these are things Finns learn at school.

I learned a lot of Finnish language and I still have a lot to learn.

I learned that a most of people know nothing about Brazil, but they love every Brazilian thing that I’ve present here.

I realized that there are still many things that I have not done or have not tried here yet.

I learned that it doesn’t matter how many friends I have here, I’ll never have the same kind of friendship as I had in Brazil (difficult to explain, but who lives or has lived abroad and has no contact with other Brazilians, will understand me).

I learned that text messages are cool, video calls are a necessity, but nothing is like visiting friends and family once in a while. So I’ve learned that it always has to be in my plans.

I learned how to deal with the missing feeling, but I also learned that it’ll never goes away.

Agora eu tenho um sensor | Nyt minulla on sensori

PT

Prometo que vai ser o último post sobre diabetes, pelo menos por agora, mas essa novidade vale a pena. Esta semana tive minha uma consulta com a enfermeira especialista em diabetes e ganhei um sensor para medir a glicemia, ou seja, não mais furinhos nos dedos e muito mais informação junta. Eba!! Parece que anteriormente este sensor era dado mais para as crianças, mas agora adultos também estão recebendo por aqui. Bom pra mim.

A enfermeira me orientou como colocar o sensor, mas eu tive que fazer eu mesma: limpar e aplicar o sensor no braço. Ela respondeu todas as minhas perguntas, me passou também telefone para assistência, caso o aparelho tenha alguma falha técnica, e me explicou como cuidar para não desgrudar do braço (por exemplo, não ir à sauna ou nadar no primeiro dia).

O sensor fica no meu braço por duas semanas, grudado como um adesivo e uma agulha/linha bem fininha. Não doeu para aplicar, dormir ou durante o dia. A vantagem é que agora quando eu quiser medir a glicemia no sangue, basta aproximar o aparelho e ele checa imediatamente o valor. O aparelho também mantém um relatório, posso ver as médias do dia, do mês, se tive alguma hipoglicemia e a média da minha glicose. Ali posso marcar a quantidade de carboidratos/açúcares que comi, quantidade de insulina que apliquei e se pratiquei alguma atividade física, coisinhas que justificam os valores da glicemia.

Então, além de facilitar pra mim, facilita também pra quem está cuidando de mim (médica e enfermeira).


EN

I promise it will be the last post about diabetes, at least for now, but this news is worth it. This week I had my appointment with the diabetes nurse and I got a sensor to measure blood glucose, so no more finger pricks and much more information together. Yay!! It seems that earlier this sensor was given more for children, but now adults are also getting it. Good for me.

The nurse instructed me how to put the sensor on, but I had to do it myself: clean and apply the sensor on the arm. She answered all my questions, also gave me a phone number for assistance, if has any technical fault, and explained how to take care of it to not to slip off from the arm (for example, not doing sauna or swimming the first day).

The sensor stays on my arm for two weeks, glued together like an adhesive and a fine needle/yarn. It didn’t hurt to apply, sleep or during the day. The advantage is that now when I want to measure the blood glucose, just approach the device and it immediately checks the value. The device also keeps a report, so I can see the averages of the day, month, as well if I had any hypoglycemia and the average of my glucose. There I can mark the amount of carbohydrates/sugars I ate, the amount of insulin I applied and if I practiced some physical activity, things that could justify the blood glucose values.

So, besides making it easy for me, it also makes it easier for those who are taking care of me (doctor and nurse).