Alvar Aalto

Gosto muito de visitar museus, às vezes mais de uma vez, é uma oportunidade de entrar de cabeça na história e vida de lugares e, neste caso, pessoas. Recentemente visitei o Alvar Aalto Museo Jyväskylä, fica bem próximo ao centro da cidade e tem fácil acesso. A primeira vez que visitei o museu foi porque queria visitar algum museu, já estava no finalzinho da viagem e na sexta-feira a entrada era gratuita. Eu não tinha ideia de quem era Alvar Aalto, mas topei mesmo assim.

Bom, dessa vez eu já sabia quem era Alvar Aalto e já tinha o conhecimento de que os finlandeses respeitam muito este arquiteto e designer. As pessoas compram produtos desenhados por ele e descobri que existe até uma lei de que quem vive em uma casa desenhada pelo arquiteto não pode fazer nenhuma modificação na casa sem a liberação da fundação responsável pelas obras do arquiteto e governo finlandês, claro que depois de constatado que vai manter as mesmas condições que o arquiteto desenhou (ou seja, não é fácil morar numa casa desenhada por Alvar Aalto, mas é um luxo). Enfim, com essas informações antes de visitar o museu, tive um ponto de vista totalmente diferente nesta visita. Por isso, vou contar pra vocês um pouquinho de quem era Alvar Aalto.

Alvar Aalto foi um arquiteto finlandês que viveu entre 1898 e 1976, sua obra foi importante para a arquitetura moderna do século XX e design (especialmente de cadeiras e cristais). Suas obras na área da arquitetura estão espalhadas não só por toda a Finlândia, mas outros países como Suécia, França, Itália, Estados Unidos, etc. e tem como foco a relação com a natureza. No design ficou conhecido por um tratamento de compensado moldado (esse trabalho é explicado no museu por meio de um vídeo demonstrativo). Ele foi casado duas vezes e suas esposas, ambas arquitetas, também colaboraram com projetos e design. Posso estar sendo exagerada, mas ao ler a biografia e ver suas obras no museu, tenho a impressão de que Alvar Aalto introduziu a Escandinávia na Arquitetura. E, talvez por isso, os finlandeses têm muito respeito por ele e suas obras. E sou privilegiada, já que moro bem em frente a uma de suas importantes obras: Säynätsalo Town Hall.

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O Alvar Aalto Museo opera em duas cidades: Jyväskyla e Helsinki, também é possível visitar algumas de suas construções em Muuratsalo tem a Experimental House (casa experimental), Studio Aalto e Aalto House em Helsinki. Moro em Jyväskylä, então, aproveitei a sexta-feira de entrada gratuita e fiz minha visita neste museu. Este museu é simples, pequeno, porém bem informativo. Para quem é da área da arquitetura e design essa é uma excelente visita e para quem é curioso (como eu) também. E tem um café e uma lojinha no museu, pra quem se interessar…

O museu funciona de terça a domingo, sendo que de setembro a junho (temporada mais fria) o horário de funcionamento é das 11 às 18 horas e nos meses de julho e agosto (temporada de verão e férias escolares) o horário é de terça a sexta das 10 às 18 horas e sábados e domingos das 11 às 18 horas. O museu é fechado na segunda-feira e, pelo menos por enquanto, a entrada é gratuita na sexta-feira.

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Jämsä

Bom, na última quinta-feira dei entrada no processo do meu visto de residência, resumindo, um dia chato por causa da papelada (convenhamos, essa burocracia é sempre estressante e cansativa), mas necessário para o primeiro ano aqui. Considerando que Jyväskylä, onde eu moro, é uma cidade mais universitária e tem bastante estrangeiro, a Polícia aqui levaria mais tempo para terminar o processo de visto e só tinha data disponível para Junho. Então, buscando nos locais mais próximos que poderíamos dar entrada no processo, encontramos Jämsä, que fica a uns 40 minutos daqui.

E vamos para Jämsä (veja aqui trajeto de Säynätsalo (Jyväskylä) para Jämsä)… o caminho é, como sempre, lindo! É lastimável que eu não tenha uma câmera profissional para captar a beleza natural que se encontra nas estradas por aqui, mas acho que dá pra ter uma ideia, né?!

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Estamos falando de uma cidade pequena, bem pequena, com quase 22 mil habitantes. Está localizada na região central da Finlândia, entre Jyväskylä e Tampere. Segundo o site oficial de Jämsä, a cidade é conhecida por estar rodeada em boa parte pelo lago Päijänne (o mesmo lago que eu tiro várias fotos e fica no final da rua onde moro), pelas atividades no centro de esqui e algumas indústrias nas áreas de aviação e bioquímica.

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O centro da cidade é pequeno, mas bem organizado e dá pra encontrar alguns restaurantes e algumas daquelas lojas mais conhecidas pelo país.

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Enfim, uma cidadezinha que dá pra passar uma tarde tranquila ou uma temporada no centro de esqui, que tal?

Vamos às compras? | Mennään ostoksille?

A primeira vez que vim à Finlândia e fui passear sozinha, pensei: ok, onde está o shopping center? Porque, no meu pequeno entendimento, shopping center é aquele lugar onde as paredes externas são de vidro espelhado, dentro é tudo clarinho e iluminado, tem uma musiquinha ambiente tocando, tem palmeiras e fontes e a gente encontra de tudo num lugar só, certo?! Bom, então eu descobri que, não necessariamente.

Em se falando de Finlândia (e posso dizer que isso vale pra alguns países vizinhos também), shopping center é mais parecido com uma galeria ou até algum estilo de shopping center brasileiro, vai… não vou ser tão extremista. Não é exatamente aquela arquitetura com todo um design moderno, vidros espelhados, fontes, etc.,  mas algo mais tradicional e prático do tipo algumas lojas em um prédio. Além daquele comércio comum por aqui onde as lojas são no térreo e apartamentos em cima ou ainda pequenas casas que se dividem em lojas, claro que essa regra não vale para grandes lojistas como H&M, IKEA e outros que têm seu próprio espaço. Vou tentar ilustrar isso:

E no centro as ruas viram passarelas com espaço para os pedestres circularem entre essas lojas e shoppings.

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Os supermercados, em sua maior parte, se dividem com outras lojas.

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Resumindo, o pequeno comércio fica em espaços que mais se parecem casas, o shopping center é como se fosse uma daquelas galerias e tem os supermercados com outras lojas dentro. Claro que, no caso, estou falando de uma cidade menor que a capital, então o centro é menor, os shoppings são menores e há menos consumidores nas ruas. Mas, em Helsinki, por exemplo, é possível encontrar shoppings maiores, mais parecidos com os que temos no Brasil. As lojas já são bem maiores e a quantidade de pessoas na rua ou nesses shoppings também.

O comércio, em si, é um pouco diferente. Começam a atender mais tarde, geralmente em torno das 10h, e dependendo do tamanho do estabelecimento pode fechar bem mais tarde, tipo 23h. Mas, já descobri que nem sempre abriu até mais tarde ou nos finais de semana. Conversando com alguns finlandeses por aqui, todos disseram a mesma coisa: mudou nos últimos anos, com a chegada de mais estrangeiros. Claro que nós, americanos e consumistas, temos uma boa participação nessa mudança. Só espero que os finlandeses mais tradicionais não achem muito ruim esse costume americanizado de ter lojas e supermercados disponíveis quase, e se possível, 24 horas por dia.

Outra coisa que me surpreendeu por aqui é o atendimento. Finlândia, nota dez em atendimento! O vendedor não fica no seu pé o tempo todo, mas aparece com um cumprimento sorridente, como quem diz “Oi, estou aqui, precisa de alguma ajuda?”. Não posso dizer que já fui mal atendida em alguma loja ou supermercado por aqui, ao contrário, em alguns lugares fui tão bem atendida que a vontade era até de ficar mais por ali.

A novidade dessa semana é a feira que tivemos na quinta-feira passada. Foi feriado por aqui, estava ensolarado, então todo mundo estava do lado de fora (a propósito, quando está ensolarado por aqui, as pessoas ficam mais sorridentes, mais amistosas, estão em grupos e calorosas de um jeito totalmente único – um dia vou escrever somente sobre essa mudança de humor extremamente peculiar). No centro tivemos uma feira, algo que ainda não tinha visto por aqui, tinha e tudo: show com música típica, móveis para a sauna, flores, tapetes, comida e bebida, roupas, especiarias, etc. Foi bem atípico, mas estava cheio de gente.

Dia a dia a Finlândia vem surpreendendo com suas peculiaridades. Já estou ansiosa para novas descobertas!

E a primavera está começando a aparecer… |Kevät alkaa näkyä…

Nas últimas semanas tivemos um começo de primavera com chuva, neve e temperaturas que mais me lembravam o outono. Diferente desses dias, esta semana o sol finalmente apareceu e, de certa forma, se estabeleceu. É lindo ver a mudança na paisagem e nas pessoas por aqui. Todos estão mais sorridentes, preparando os jardins para receber flores, estão fazendo churrasco no quintal, reformando os barcos, alguns já se arriscam a nadar no lago, crianças no pula-pula, mais pessoas caminhando, etc. Isso sem falar na natureza, a mudança é fenomenal!

O lago, por exemplo, já descongelou e já recebe patinhos, cisnes e gaivotas.

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Já começam a surgir alguns brotinhos nos galhos secos.

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E as flores surgem em meio às folhas secas ou a grama verdinha que está nascendo de novo.

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A gente começa a ver os bichinhos por aqui, esquilos (a propósito perdi metade de uma manhã admirando alguns brincando em frente à minha janela), coelhos e passarinhos.

Eu sei que soa como cena de filme, mas é de verdade uma transformação muito bonita! Mas pra um lugar que é frio boa parte do ano, dias mais ensolarados, temperaturas mais agradáveis e as cores da natureza só complementam a beleza do lugar.

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Agora é só aproveitar a temporada!