2 anos de Finlândia | 2 vuotta Suomessa

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Como o tempo voa! Uns dias atrás deixei o Brasil, com ansiedade, expectativa, medo e mais um monte de sentimentos todos misturados. Hoje estou completando dois anos vivendo na Finlândia. Já me sinto em casa por aqui, mas a verdade é que todos os dias aparece alguma coisa nova, alguma palavra nova, alguma cultura diferente. Pois é, nestes dois anos aprendi muito.

Aprendi a nunca subestimar o frio. Às vezes o termômetro diz +3, com sol, mas a sensação é -10 ou o tempo muda… acontece. Sempre bom ter um par de luvas quentinhas, touca e meias de lã, “just in case”. E nunca confie quando a neve começa a derreter, porque pode nevar uma noite e ficar com cara de inverno de novo.

Aprendi que velas, luzinhas e vitamina D ajudam a passar mais facilmente a temporada escura no inverno.

Aprendi a gostar do calorzinho da sauna, da lareira, do aquecedor.

Aprendi que neve dá muito trabalho.

Aprendi a conviver com dias sem sol e noites ensolaradas.

Aprendi a usar coisas de segunda mão. Por aqui as pessoas não têm vergonha ou preconceito em compras de brechós, mercado de pulgas ou ganhar coisas usadas de amigos ou parentes. É comum e estou me adaptando muito bem a isso e, de vez em quando, consigo umas peças antigas bem legais.

Aprendi a botar a mão na massa, pintar paredes, serrar madeira, derrubar chaminés na marreta, na serra elétrica, manusear ferramenta e por aí vai.

Aprendi que, a menos que você queira gastar muitos Euros, é bom que você saiba cuidar das suas próprias unhas, máscaras faciais, cabelos e qualquer outra coisa ligada à estética. Porque por aqui isso tudo é muito caro.

Aprendi a usar menos maquiagem e usar mais rabo de cavalo.

Aprendi a gostar dos meus olhos castanhos.

Aprendi que depois de servir um almoço ou jantar, você tem que oferece café e chá… especialmente café. Ou vai ficar faltando alguma coisa pros seus convidados.

Aprendi que chá e sopa não são tão ruins como eu achava antes. Mas ainda falta aprender a tomar café.

Aprendi que pimentão, por aqui, se come na salada e cru.

Aprendi a usar fogão e forno elétricos.

Aliás, aprendi que não precisa preparar um banquete cheio de opções de carnes, saladas e várias guarnições… salada, batatas e alguma carne é o suficiente.

Aprendi a cozinhar e comer comidinhas tradicionais finlandesas.

Aprendi que não pode sair com o cabelo úmido durante o inverno.

Aprendi que apesar de ser um país pequeno, a Finlândia pode ter vários sotaques diferentes.

Aprendi que ver a aurora boreal não é tão fácil quanto parece.

Aprendi que as crianças podem ser crianças por muito mais tempo do que eu sabia.

Aprendi a respeitar. Afinal de contas, finlandeses gostam do seu próprio espaço e não gostam muito de posar para fotos.

Aliás, aprendi que finlandeses gostam de fotos, mas fotografam somente animais ou natureza.

Aprendi que o Brasil vs. Argentina, por aqui é Finlândia vs. Suécia.

E, por isso, entendi porque, mesmo que seja obrigatório aprender durante a escola, esteja em todos os idiomas e produtos e seja segundo idioma oficial do país, os finlandeses não gostam e dizem que não sabem o idioma sueco.

Aprendi a agradecer o motorista do ônibus.

Aprendi a abastecer o carro.

Aprendi que a internet pode ser bem mais rápida (hehe).

Aprendi cooperatividade. Por aqui as pessoas são bastante cooperativas, de um jeito… eu diria… incomum. As pessoas se ajudam, ao mesmo tempo em que são reservadas. Já ajudei e já fui ajudada por aqui.

Aprendi simplicidade. A decoração nórdica é minimalista, as casas são mais simples, preza-se por um bom sofá, uma mesa pro café, a cafeteira e uma cama boa.

Aprendi que tirar os sapatos para entrar em casa, na verdade, ajuda quem tem que limpar a casa.

Aprendi a viver sem uma lavanderia em casa.

Aprendi que é uma delícia andar sem medo pela floresta, colher cogumelos e berries.

Aprendi que o silêncio no meio de uma conversa não precisa ser constrangedor.

Aprendi que o funeral acontece semanas depois que a pessoa já morreu.

Aprendi, quer dizer, estou aprendendo a costurar, tricotar, tocar ukulele, patinar no gelo e ainda vou tentar esquiar, fazer algum trabalho em madeira e cortar cabelo. Afinal, são coisas que os finlandeses aprendem na escola.

Aprendi muita coisa da língua finlandesa e ainda tenho muito pra aprender.

Aprendi que muita gente não sabe nada do Brasil, mas amam tudo quanto é coisinha  e comidinha brasileira que eu apresento por aqui.

Percebi que ainda têm muitas coisas que ainda não fiz ou não experimentei por aqui.

Aprendi que por mais amigos que eu faça por aqui, o tipo de amizade nunca será como era no Brasil (difícil explicar, mas que mora / ou já morou por essas bandas e não tem contato com outros brasileiros, vai me entender).

Aprendi que mensagens de texto são legais, chamadas de vídeo são uma necessidade, mas nada como visitar os amigos e a família de vez em quando. Então, aprendi que isso  sempre tem que estar nos meus planos.

Aprendi a lidar com a saudade, mas também aprendi que ela nunca vai embora.


EN

Time flies! A few days ago I left Brazil, full of anxieties, expectations, fears and a lot of mixed feelings. So today is the day I am making two years living in Finland. I already feel at home here, but the truth is that every day something new appears, some new word, some different culture. Yes, in these two years I learned a lot.

I learned to never underestimate the cold. Sometimes the thermometer says +3, sunny day, but the feeling is -10 or weather changes… it happens. Always nice to have a pair of warm gloves, hat and wool socks, just in case. And never trust when the snow begins to melt, because it can snow one whole night and look like winter again.

I learned that candles, lights, and D vitamin help to make the dark season much easier to get through in winter time.

I learned to like the warmth of a sauna, fireplace and heater.

I learned that snow means also a lot of work.

I learned to live with days of darkness and also sunny evenings.

I learned to use second-hand things. Around here people are not ashamed or prejudiced in shopping for second-hand stores, flea market or gaining used things from friends or relatives. It’s common and I’m adapting very well to it and, from time to time, I get some nice old pieces.

I learned how to paint walls, saw wood, knock down chimneys by hammer, saw chains, handle tools and so on.

I learned that unless you want to spend a lot of Euros, you might want to take care of your own nails, facial masks, hair, and anything else related to aesthetics yourself. Because everything related to these services here is very expensive.

I learned to use less makeup and use more ponytails.

I learned to like my brown eyes.

I learned that after serving a lunch or dinner, you might have to offer coffee and tea… especially coffee. Or something will be missing from your meal to your guests.

I learned that tea and soup are not as bad as I thought before. But I still have to learn to drink coffee.

I learned that pepper, here, is eaten in the salad and raw.

I learned how to use an electric stove and oven.

By the way, I learned that you do not need to prepare a banquet full of meat options, salads and various side dishes… salad, potatoes and some meat is more than enough.

I learned to cook and eat traditional Finnish food.

I learned that you can’t go out with your hair wet during the winter.

I learned that despite being a small country, Finland may have several different accents.

I learned that seeing the aurora borealis is not as easy as it sounds.

I learned that children can be children for much longer than I knew.

I learned to respect. After all, Finns like their own space and don’t like that much be posing for photos.

By the way, I learned that Finns do like photos, but they photograph only animals or nature.

I learned that Brazil vs. Argentina, is like Finland vs. Sweden here.

And so I understood why, even they’ve to learn during school, even it is in all products and even is the second official language of the country, Finns don’t like the Swedish language.

I learned to always thank the bus driver.

I learned how to fuel the car myself.

I learned that internet can be much faster (hehe).

I learned cooperativity. People around here are quite cooperative, in a way… I would say … unusual. People help each other tho they are reserved. I’ve already helped and I’ve been helped here.

I learned simplicity. The Nordic decor, for example, is minimalist, the houses are much simpler… a good sofa, a coffee table, a coffee maker and a good bed.

I learned that taking off shoes to get in the house actually helps those who have to clean the house.

I learned to live without a laundry room at home.

I learned that it is a delight to walk fearless through the forest, to get mushrooms and berries.

I learned that silence in the middle of a conversation don’ need be akward.

I learned that funeral takes place couple weeks after the person dies.

I learned, I mean, I’m learning how to sew, knit, play ukulele, ice skating, and still want to try skiing, doing some woodwork and cutting hair. After all, these are things Finns learn at school.

I learned a lot of Finnish language and I still have a lot to learn.

I learned that a most of people know nothing about Brazil, but they love every Brazilian thing that I’ve present here.

I realized that there are still many things that I have not done or have not tried here yet.

I learned that it doesn’t matter how many friends I have here, I’ll never have the same kind of friendship as I had in Brazil (difficult to explain, but who lives or has lived abroad and has no contact with other Brazilians, will understand me).

I learned that text messages are cool, video calls are a necessity, but nothing is like visiting friends and family once in a while. So I’ve learned that it always has to be in my plans.

I learned how to deal with the missing feeling, but I also learned that it’ll never goes away.

5 comentários sobre “2 anos de Finlândia | 2 vuotta Suomessa

  1. Que gostoso poder conhecer um pouquinho da sua vida na Finlândia, Lari. E que gostoso saber de todos esses aprendizados! Continue aprendendo muito e compartilhando conosco… assim a gente sente como se tivesse pertinho de você.
    (Nunca comentei por aqui, mas sempre leio seus posts e gosto muito deles).

    Beijinhos!

    Curtir

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