Mãe de dois (parte 1)| Mom of two (part 1)

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PT

Enquanto tenho nos braços meu filho mais novo, que acabou de adormecer depois de chorar por um tempo a dor dos primeiros dentinhos nascendo. O mais velho está na escolinha e meus pensamentos com ele o tempo todo: será que ele comeu? será que ele vai dormir a soneca? o dia está chuvoso, será que ele vai brincar lá fora? será que ele está se divertindo? será que sente saudades de mim? de casa? do irmãozinho? Resolvi escrever e dividir as partes boas e não tão boas assim da maternidade, especialmente quando são dois pequenos.

Eu já comentei algumas vezes por aqui que, ser mãe, sempre foi um desejo meu. Desde bem pequena. Não fui daquelas meninas que brincavam de boneca para trocar a roupinha e colocar laço no cabelo. Mas fui das que se preocupava em montar a casinha, fazer a comidinha, dar banho. Acho que sempre soube que queria viver a maternidade real, não só a parte bonita.

E, como vocês já sabem, apesar dos meus “probleminhas”, consegui ter duas gestações saudáveis, partos não tão fáceis e bebês com certa dificuldade no começo, mas lindos e saudáveis também. Aliás, acabo de me atentar que não dividi com vocês o relato do meu segundo parto e meu menino já tem seis meses! Oops.

Minhas gestações foram bem tranquilas, mas com um terceiro trimestre mais complicado… no primeiro, havia um baixo fluxo no cordão umbilical, que a princípio poderia indicar um parto prematuro, mas que, ainda bem, se normalizou; já no segundo, depois vou contar com mais detalhes, ele não virou com a cabecinha pra baixo e acabei num parto pélvico, que apesar de ser de risco, foi tudo bem (e bem mais fácil que o primeiro).

Nos dois pós-partos passei por um puerpério difícil. Dificuldade na amamentação, a culpa que toda mãe sente (difícil essa parte, ein… e parece que não vai embora, sempre vem aquela culpa, né?!), a solidão… e aqui eu ainda digo que, pra quem mora longe da família, essa parte bate mais forte.

Aliás, acho que vou falar dessa solidão. Como disse, sempre quis ser mãe. Mas viver a gestação, o parto, pós-parto e a maternidade em si, longe da minha mãe, da minha irmã, do meu pai, das minhas amigas mais próximas… foi e é muito difícil. É claro que eu tive muita sorte de encontrar um marido incrível com uma família mais incrível ainda, que me acolheu como se fosse filha e irmã deles. Mas não ter as dicas e a ajuda da minha mãe, sempre tão cuidadosa, ou a comidinha dela no pós-parto, não ter os sábios conselhos ou colo da minha irmã, não ter os mimos do meu pai, não ter aquela amiga pra trocar uma fralda enquanto você toma um banho, se empolgar na preparação de um chá de bebê, ir com você comprar roupinhas… isso fez e continua fazendo (e vai fazer ainda) muita falta.

Como lido com essa solidão? Muita chamada de vídeo, mando cartões e cartas pelos correios, eles mandam caixa com presentinhos, muita meditação nos motivos, no porquê estou aqui, em como aqui tenho um excelente suporte médico, social e educacional para as crianças, como aqui meus filhos também têm uma parte da família deles e muita busca de promoção de passagens aéreas pra eles virem pra cá ou nos irmos pra lá (antes do COVID né?! que só fez isso tudo aí ficar mais complicado… como já devem imaginar). Quando a solidão bate (e ela vez ou outra vem mais forte), me permito chorar, colocar pra fora, mas me permito também ser racional… a distância existe, não tem muito o que fazer pra resolver isso, então uso as técnicas que tenho disponíveis.

E uma dica pra você que mora longe da família e está grávida ou pensando em engravidar… existe uma solidão materna para todas. Aquela solidão das noites amamentando, ninando o bebê com cólica, das noites mal dormidas durante os saltos de desenvolvimento, enquanto, na maioria das vezes, o teu marido vai estar dormindo ali ao lado, pleno. Como mães, somos a fonte de conforto, segurança, carinho e alimento para nossos filhos. É a mãe que o filho chama quando sente dor, medo, quando está com fome, quando está chateado… E ser fonte de tanta coisa, muitas vezes te esgota e nessas horas que você queria ter um colo da sua mãe (a quem você também chama quando sente medo, quando tem dúvida é não sabe o que fazer…), você está longe e não tem esse colo. É triste, dolorido, mas uma realidade. Minha dica é: primeiro, mantenha o vínculo com sua família mesmo que por telefone, vídeo chamadas ou outra forma de comunicar, permita que eles participem do dia a dia corrido, da bagunça da casa, dos bebês chorando, isso é importante pra eles e pra você também, afinal, eles estão, da forma que é possível, participando da vida deste novo integrante da família. Além disso, tenha a sua rede de apoio local… se não tem família, talvez tenha a família do teu marido, amigos e amigas que podem e vão te dar o carinho, a escuta, os conselhos e o suporte que você precisa. Não tenha vergonha ou medo de pedir ajuda. Talvez não seja a comidinha da mamãe no pós-parto, mas é um bolo que uma amiga fez pra você, uma sopa que a sua sogra te traz… valorize isso. E uma última dica: não se prenda à solidão, desfrute destes momentos sozinha com seu filho, eles são únicos, duram pouco e passam rápido… mesmo que as madrugadas talvez pareçam eternas e exaustivas.

Inclusive, falando da parte boa dessa solidão… são nestes momentos que você, ali cansada e sozinha, provavelmente vai testemunhar as maiores descobertas. você vai ser a primeira a ver aquele sorriso mais sincero do mundo: quando o teu bebê te vê e sorri… é mágico, é amor do mais puro, vai ver ele tentando avançar tocar teu rosto e sorrindo quando conseguir encostar no queixo da mamãe, também provavelmente você vai ser a primeira a ver ele descobrindo a mãozinha, alcançando o pé e até engatinhar pela primeira vez. Curta estes momentos, eles são únicos e recompensadores.

PS: claro que postei só depois do boa noite dos meninos.


EN

While I have my youngest son in my arms, who has just fallen asleep after crying the pain of the first teeth coming out. The eldest is in kindergarten and my thoughts with him all the time: did he eat? will he sleep his nap? it’s a rainy day, will he play outside? is he having fun? does he miss me? home? his little brother? Well, I decided to write and share the good and not-so-good parts of motherhood, especially when having two little ones.

I’ve already commented a few times around here that being a mother has always been a dream (or a plan) of mine. Since I was very young. I wasn’t one of those girls who played with dolls to change their clothes and put a bow on their hair. But I was one of those who cared about setting up the house, making the food, giving a bath. I think I always knew I wanted to experience real motherhood, not just the pretty part.

And, as you already know, despite my “little problems”, I managed to have two healthy pregnancies, although not so easy births and babies with some difficulty in the beginning, but beautiful and healthy too. By the way, I just realized that I haven’t share with you anything about this second birth and my boy is already six months old! Oops.

My pregnancies were very good, but with a more complicated third trimester… in the first pregnancy, there was a low flow in the umbilical cord, which at first could indicate a premature birth, but which, thankfully, normalized; in the second, I’ll tell you in more detail later, his head didn’t turn down and I ended up in a pelvic birth, which although considered being risky, was all right (and much easier than the first).

In both postpartums I went through a difficult puerperium. Difficulty in breastfeeding, the guilt that every mother feels (by the way, difficult that part, huh… and it doesn’t seem to go away, that guilt always comes and goes, right?!), loneliness… and here I’d say that, for those who live far from their family, this part hits harder.

By the way, I think I’ll talk a bit more about this kind of loneliness. As I said, I always wanted to be a mother. But experiencing pregnancy, childbirth, postpartum and motherhood itself, far from my mother, my sister, my father, my closest friends… it was and it is very difficult. Of course I was very lucky to find an amazing husband with an even more amazing family, who took me in like I was their daughter and sister. But not having my mother’s tips and help, always so lovely and careful, or her postpartum food, not having the wise advice of my sister, not having my father’s pampering, not having that friend to change diapers while I could be taking a shower, or preparing a baby shower, going with you to buy tiny baby clothes… well, I’ll tell what, this has been and continues to be (and will still be) a big missing part.

How do I deal with this loneliness? A lot of video calls, I send cards and letters, they send us boxes with little gifts, a lot of meditation on why I am here, how here I have excellent medical, social and educational support for my children, that my children also have here a part of their family and a lot of searching for flight tickets in fair prices for my family to come here or us to go there (before COVID, right?! which only made all this more complicated… as you can imagine). When loneliness hits (and it sometimes comes stronger), I allow myself to cry, to let it out, but I also allow myself to be rational… the distance exists, there’s not much to do to change it, so I use the techniques I have available.

And a tip for you who live far from your family and are pregnant or thinking about getting pregnant… there is this maternal loneliness for everyone. That loneliness of nights nursing, rocking the baby with colic, sleepless nights during the leaps of development, while, most of the time, your husband will be sleeping right beside you. As mothers, we are the source of comfort, security, care and nourishment for our children. It’s the mother that the child calls when he feels pain, fear, when he is hungry, when he is upset… And being the source of so many things often drains you and at these times you want to have same comfort from your mother (whom you too he calls when you are afraid, in doubt or doesn’t know what to do…), you are far away and you don’t have that person there. It’s sad, painful, but real. My tip is: first, keep the bond with your family even if it’s over the phone, video calls or any other way of communicating, allow them to participate in the busy daily life, the mess around the house, crying babies, this is important to them and for you too, after all, in that way they are, as much as possible, participating in the life of this new member of the family. Also, have your local support network… if you don’t have your family, maybe you have your husband’s family or friends who can and will give you the care, listening, advice and support you need. Don’t be ashamed or afraid to ask for help. Maybe it’s not your mommy’s food, but it’s a cake that a friend made for you, a soup that your mother-in-law brings to you… appreciate that. And one last tip: don’t get stuck in solitude, enjoy these moments alone with your child, they are unique, they don’t last long and go quickly… even if the sleepless nights and early mornings may seem eternal and exhausting.

Also, talking about the good part of this loneliness… it is in these moments that you, there tired and alone, will probably witness the greatest discoveries. You’ll be the first to see that most sincere smile in the world: when your baby sees you and smiles… it’s magic, it’s pure love, also you’ll see him trying to touch your face and smiling when finally can touch mommy’s chin, also you’ll probably be the first to see him discovering his little hand, reaching for the foot and even crawling for the first time. Enjoy these moments, they are very unique and rewarding.

Uh… this is already very long, my boy is already waking up and I haven’t even talked about being a mother of two yet. I’m going to do a part two on his next nap.

PS: of course, posting it after their good nights. 🙂

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