Sobre uma lembrança (boa) | About a (good) memory

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PT

O post de hoje é uma lembrança… há cinco anos eu estava deixando minha terra natal de mudança rumo à Finlândia. Só que essa minha viagem foi cheia de perrengues, coisas que nunca nem contei pra outras pessoas e resolvi (nem sei porquê) compartilhar com vocês.

Bom, pra começo de história, a ideia era que eu e meu (recém) marido viajássemos juntos… afinal de contas, eu estaria deixando meu país, minha família e amigos e o misto de emoções é enorme. Então, quando ele veio ao Brasil para nosso casamento, ele optou por uma passagem um pouco mais cara, mas que lhe daria a oportunidade de remarcar o voo de volta de graça, ou pelo menos essa é a informação que ele viu na hora da compra. Isso porque, nos meus planos, eu ainda teria que trocar meus documentos para o nome de casada e precisaria de uns dois meses depois de casar pra fazer isso.

Planejamos nosso retorno/ida para dois meses após o casamento. Compramos a minha passagem pela mesma companhia aérea. Só que quando ele foi remarcar a passagem dele, ele não podia remarcar porque havia uma grande diferença de valor (ou por algum outro motivo qualquer). Talvez nosso erro foi ter comprado minha passagem muito em cima da data do voo, sei lá.

Bom, com dor no coração e bastante chateação, sabíamos que teríamos que viajar separados. Não era o ideal, mas tudo bem… afinal de contas estaríamos juntos dali por diante. O voo dele seria no dia 5 e o meu no dia 6, então seria pouquíssimo tempo entre nossas chegadas.

Nesse meio tempo, não sei se por nervoso, estresse ou sei lá o quê, fiquei internada no hospital por uns 4 dias. Tive pielonefrite. E a infecção não baixava de jeito nenhum. Já era dia 04 e eu ainda internada, pensando que tinha que buscar minha carteira de motorista pessoalmente e arrumar minhas malas. Depois de muita conversa com o médico e uma leve melhora nos resultados dos exames, ele me liberou com uma receita de um antibiótico fortíssimo e o cuidado de procurar um hospital a qualquer sinal de febre.

Chegado dia 05, fomos de manhã ao aeroporto. Já comecei a sentir a dor da partida a partir dali. Uns amigos foram se despedir dele também, afinal ele ficou 3 meses no Brasil e fez alguns bons amigos. E meu amor se foi. Pegou seu voo rumo à Finlândia.

Para aquele dia, meus amigos tinham preparado uma festinha de despedida para nós, mas no final eu nos representei como casal. E foi até bom, me deu chance de falar um pouco com todo mundo ao invés de ficar traduzindo o tempo todo o que as pessoas queriam conversar com meu marido.

Manhã do dia 06, fui toda já chorosa pro aeroporto. Meus amigos estavam lá pra se despedir, tinha balão de avião e tudo mais.

Mas os problemas começaram já na hora de despachar a bagagem… Fui checar primeiro o peso das malas, já que estava levando bastante coisa, e, lógico, passou o peso em uma mala e a gente começou a abrir mala ali mesmo e fazer aqueles ajustes, passando de uma mala pra outra, pra mala de mão e por aí vai.

Malas reorganizadas (apesar de mais bagunçadas), fui fazer o check in e não me deixaram embarcar. Acontece que meu marido comprou a passagem já com o nome completo de casada, mas como ficou muito longo, aparecia só a primeira letra do meu nome e o sobrenome completo. Talvez a atendente não foi com a minha cara, sei lá, ela não quis me deixar embarcar por causa disso. Pediu que eu ligasse nos próximos minutos (antes de fechar o embarque) para a companhia aérea para fazer a correção.

Mas o escritório da companhia aérea só abriria minutos antes do meu voo. Mesmo assim, eu e todo mundo ali ligando, meu marido, já na Finlândia ligando pra o escritório oficial da companhia aérea na Europa… enfim, não deu tempo. O avião foi embora e eu fiquei.

Fiquei arrasada, claro.

Mas continuamos as ligações, pedindo um novo voo, dinheiro de volta ou o que fosse.

Resumindo um pouco… consegui o reembolso, um voo para o mesmo dia, mas de outra companhia aérea e (pasmem!) mais barato que o voo original. Porém com uma conexão longa em Paris.

Até aí tudo bem, conexão longa em Paris não soava tão ruim assim. Nunca tinha ido à Paris mesmo… já seria uma oportunidade.

Como teria que dormir em Paris, se não me engano eu chegaria às 15.00 e o próximo voo sairia de manhã, meu marido conseguiu uma reserva num hotel desses de viajantes, bem próximo ao aeroporto (que eu descobri que fica super longe de Paris), simples e prático.

Fim de tarde e lá vou eu pro aeroporto novamente, no mesmo dia, com as mesmas malas e o mesmo sentimento de saudade. Mas dessa vez peguei o voo, fui ali chorando quietinha sozinha… vendo minha terra natal de cima sem saber quando eu ia voltar ali novamente. Pra quem já mudou de país, sabe o sentimento estranho que é.

Chegando em Paris, percebi que eu estava sem dinheiro, não pedi pra ninguém (não pensei nisso…) e meu cartão de crédito já estava cancelado. Eu tinha o equivalente a 20€ pra comida e transporte. Fui buscar as malas, porque segundo a companhia aérea, quando a conexão é maior que 12 horas, você tem que retirar a bagagem e despachar novamente para o próximo voo, para minha surpresa as rodinhas das minhas malas (de 32kg cada) estavam quebradas e não tinha uma pessoa ali por perto pra eu me informar ou fazer uma reclamação. Tive que virar com duas malas de 32kg e ainda a mala de mão.

E, aqui, começou meu próximo erro… como Paris não era meu plano, nem passar a noite em lugar nenhum, eu não tive tempo ou cabeça de pesquisar sobre. Acabei pegando um táxi pra um hotel que ficava há uns 10 minutos do aeroporto, negociei e paguei 10€. Só depois eu vim saber que havia um ônibus gratuito que fazia o percurso dos hotéis… enfim, dei bobeira. Eu estava morrendo de fome, mas não podia usar meu dinheirinho, porque na minha cabeça eu ia ter que pagar 10€ no táxi de volta na manhã seguinte.

Então eu achei umas moedas de Euro na minha carteira e no hall do hotel tinha uma máquina de snacks, peguei dois pacotinhos pequenos de chips, uma água e tinha umas balas na bolsa. E foi assim que me virei até a manhã seguinte… contando a pouca comidinha que tinha e tentando dormir pra passar o tempo.

Na manhã seguinte, já melhor informada, peguei o ônibus (na verdade uma van) gratuita. Ainda estava enrolada com as malas de rodinha quebrada, mas contente que tudo isso já estava acabando e logo mais eu começaria uma vida nova. Tanto que gastei meu último dinheirinho num café da manhã na Starbucks do aeroporto (ostentando uma refeição cara: cappuccino e croissant).

Finalmente cheguei no aeroporto de Helsinki, encontrei meu marido e, antes de ir pro nosso novo lar (o que seriam mais três horas de viagem de carro), fomos comer umas almôndegas no Ikea… hehehe


EN

Today’s post is a memory… five years ago today I was leaving my homeland on the way to Finland. Except that my trip was full of hardships, things that I never even told other people and I decided (I don’t even know the reason why) to share with you.

Well, to begin with, the plan was that my (newly) husband and I would travel together to Finland… after all, I would be leaving my country, my family and friends and that mix of feelings is huge. So, when he came to Brazil for our wedding, he chose for a slightly more expensive ticket, but that would let him reschedule his flight back for free, or at least that’s the information he saw at the time of purchase. That’s because, in my mind, I’d still have to update my documents for the married name and for that I’d need a couple of months after getting married to do this.

We plan our return for about two months after the wedding. We bought my ticket from the same airline. Only when he went to reschedule his ticket, he could not reschedule because there was a huge difference in price (or for some other reason). Maybe our mistake was bought it a lot close the flight date, I don’t know.

Well, with a broken heart and a lot upset, we knew that we would have to travel separately. It was not ideal, but it was fine… after all, we would be together from then on. His flight would be on the 5th and mine on the 6th, so there would be very little time between our arrivals.

In the meantime, I don’t know if due to stress or whatever, I was admitted to the hospital for about 4 days. I had pyelonephritis. And the infection did not subside at all. It was already the 4th and I was still hospitalized, thinking that I had to get my driver’s license in person and pack my bags. After a lot of conversation with the doctor and a slight improvement in the blood test results, he released me with a prescription for a very strong antibiotic and the caution to go to a hospital for any sign of fever.

It is now 5th, we went to the airport in the morning. I was already a bit emotional. Some friends went to say goodbye to my husband too, after all he stayed 3 months in Brazil and made some very good friends. And then he took his flight to Finland.

For that day, my friends had prepared a farewell party for us, but in the end I represented us as a couple. Which it was good, it gave me the chance to talk a little bit with everyone instead of translating all the time what people wanted to talk to my husband.

Morning of the 6th, I was all tearful to the airport. My friends were there to say goodbye, there was an airplane balloon and everything.

But the problems started when it was time to check the luggage… I went to check the weight of the bags first, since I was carrying a lot of things, and, of course, there was a bit of overweight on a suitcase and we started to open it right there and do those adjustments, going from one suitcase to another, to the handbag and so on.

Rearranged bags (although more messy), I went to check in and I was not allowed to board. It turns out that my husband bought the ticket with the full married name, but as it got too long, only the first letter of my first name and the full surname appeared. Maybe the attendant didn’t like me, I don’t know, she didn’t want to let me go because of that. She asked me to call the airline in the next few minutes (before boarding) to make the correction.

But the airline’s office would only be opened few minutes before my flight. Even so, me and everyone there started calling, my husband, already in Finland calling the official airline office in Europe… anyway, there was no time. The plane left and I stayed.

I was absolutely upset, of course.

But we kept calling, asking for a new flight, money back or whatever.

In short… I got a refund and a flight for the same day, but from another airline and (amazingly!) cheaper than the original flight. But with a long connection in Paris.

So far so good, long connection in Paris didn’t sound too bad. I had never been to Paris before… it would be an opportunity.

As I would have to sleep in Paris, if I am not mistaken I would arrive at 15.00 and the next flight would leave in the morning, my husband got a reservation in a hotel like this for travelers, very close to the airport (which I found to be super far from Paris), simple and practical.

Late afternoon and I go to the airport again, on the same day, with the same bags and the same feeling of longing. But this time I took the flight, yay!, I was there crying quietly alone… seeing my hometown from above without knowing when I was going to go back there again. For those who have already moved to another country, you know the strange feeling that it is.

Arriving in Paris, I realized that I had not enough money, I didn’t ask anyone (I didn’t think about it…) and my credit card was already canceled. I had the equivalent of 20€ for food and transportation. I went to pick my luggage, because according to the airline, when the connection is longer than 12 hours, you have to remove the luggage and check in again for the next flight, to my surprise the wheels of my luggage (32 kg each) were broken and there was no person nearby to inform me or make a complaint to. I had to handle two 32kg luggage and a handbag.

And, here, my next mistake started… as Paris was not my plan, nor to spend the night anywhere, I didn’t have the time or mind to research about. I ended up taking a taxi to a hotel that was about 10 minutes from the airport, negotiated and paid 10 €. Only later I came to know that there was a free bus that made the route to the hotels nearby. I was hungry, but I couldn’t use my money, because in my head I was going to have to pay 10€ in the taxi back the next morning.

So I found some Euro coins in my wallet and in the hall of the hotel there was a snack machine, I took two small packages of chips, a water and there were some candies in my bag. And that was how I survived until the next morning… eating slowly my chips and trying to sleep to spend the time.

The next morning, now with some information, I took the free bus (actually a van). I was still with the broken luggage, but glad that all of this was ending and soon I would start my new life. So much so that I spent my last 10€ on a breakfast at the airport’s Starbucks (boasting an expensive meal: cappuccino and croissant).

Finally I arrived at Helsinki airport, met my husband and, before going to our new home (which would be another three hours by car), we went to eat some meatballs at Ikea… hehehe

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