Como é ser diabética na Finlândia | Millaista on olla diabeetikko Suomessa

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PT

Olá queridos leitores! Voltei de umas férias no Brasil, para visitar minha família, amigos, cachorra, usufruir da vitamina D natural por lá e comer muito. Eu e meu esposo ficamos seis semanas, um tempo relativamente longo, mas que fez a despedida dos amigos e familiares (do calor, da comida, da minha cachorra, da minha antiga caminha…) mais difícil na hora de voltar pra cá. A verdade é que a parte mais difícil mesmo foi retornar com um diagnóstico que , de certa forma, muda tudo.

Duas semanas antes da viagem acabar, tive uns dias com a visão absolutamente embaçada, sem enxergar mesmo. Primeiro tentei oftalmologista, não consegui, a princípio, então fui ao pronto-socorro do hospital. E descobri que sou diabética.

Na hora parece uma sentença de morte. E não passa muito a sensação nos dias seguintes. Afinal de contas, tudo que você escuta é “tem que cuidar, ou você pode acabar em coma, perder um pé ou morrer”. Fácil, fácil. Além disso, (quase) tudo que você está acostumada a comer tem que ser reduzido (para não dizer eliminado) das suas refeições, você tem que comer de 3 em 3 horas, sagradamente, e, especialmente neste começo, furar os dedinhos antes e depois das refeições, quando acorda e quando vai dormir. Não é legal.

Pois é, hoje faz um mês que (descobri que) sou diabética. E essa mudança traz um sentimento ruim nos primeiros dias (e, honestamente, ainda estou nestes dias). Ver prateleiras inteiras de docinhos e chocolates de diferentes tipos e sabores e descobrir que, com muita sorte, você vai achar uma barrinha pequena de chocolate ao leite diet (com sabor acentuado pro adoçante mais que pro chocolate mesmo). Ou quando você se vê sem saber o que pode ou não comer pra poder sair com os amigos. Ou saber que essa mudança vai afetar alguém que não tem nada a ver com isso, meu esposo, e que vai ser “obrigado” a cortar açúcares e carboidratos também. É um fardo triste e pesado.

Enfim, deixando o drama de lado… estamos de volta à Finlândia. E neste post vou começar a contar um pouco, na medida que as coisas forem acontecendo também, sobre a minha saga de diabética em terras finlandesas. É uma forma de vocês conhecerem também um pouco do sistema de saúde finlandês.

Bom, já na primeira hora da segunda-feira ligamos pro centro de saúde do bairro. A enfermeira conversou comigo, pegou os dados médios da minha glicemia nos últimos dias e, imediatamente, marcou no meu perfil como provável diabética. Logo já tive direito a um aparelhinho para medir a glicemia, as lancetas e as tiras de teste – tudo de graça. Eu já havia comprado um aparelho no Brasil e até poderia comprar somente as lancetas e as tiras de teste por aqui, mas o governo não tem contrato com a mesma empresa para me disponibilizar gratuitamente e, por isso, me deram uma segunda marca.

Durante a conversa, a enfermeira agendou consulta com o clínico geral, que já me pediu para fazer uns exames de sangue. Exames feitos, fui à médica. Muito atenciosa, ela olhou meus exames, mesmo aqueles feitos no Brasil, avaliou minha respiração e meus pés (aliás, desde que ganhei este novo sobrenome, descobri que pés, olhos e rins são os pontos fracos do diabético), aumentou a dose dos medicamentos que me passaram na emergência do hospital no Brasil e me agendou num centro especializado para diabéticos no hospital.

Passados uns quatro dias o pessoal do hospital me ligou para agendar a consulta e marcar mais uns exames de sangue. Fui à consulta que envolve enfermeira + médica ambas especialistas em diabetes. Primeiro uma avaliação de pressão arterial, peso e um relatório das últimas medidas de glicemia. Depois durante a conversa com a médica, descobrimos que, de acordo com os novos exames, minha diabetes é tipo 1. Meu corpo ainda produz insulina, só não o suficiente. Então os medicamentos foram cortados e começarei na insulina rápida, aquela antes das refeições. A proposta é fazer um teste até sexta-feira. Ou seja, agora estou no segundo dia de insulina e continuo as marcações de glicemia e amanhã saberemos se está dando resultado ou não.

Enfim, sobre o sistema de saúde para o diabético aqui, achei muito bom. Não sei como é no Brasil, afinal não era diabética (ou era e não sabia) quando estava lá. Mas, por aqui, há um cuidado e um carinho com a pessoa diabética e vários benefícios que eu ainda estou começando a descobri e entender.

Aguardem o próximo capítulo.


EN

Hello dear readers! I just returned from a vacation time in Brazil, to visit my family, friends, dog, to enjoy the natural vitamin D there and eat a lot. My husband and I stayed for six weeks, a relatively long time, wich make not easy to say bye to friends and family (heat, food, dog, my old bed…) to come back here. The truth is that the hardest part was even to return with a diagnosis that, in a way, changes everything.

Two weeks before the trip was over, I had a few days with absolutely blurry vision, I literally couldn’t see anything. I first tried an ophthalmologist, it was not available, at first, so I went to the hospital emergency room. And I discovered that I am diabetic.

At the first time I listened it sounded like a death sentence. And the feeling does not go very much in the following days. After all, all you hear is “you have to take care of it, or you can end up in a coma, lose a foot or die.” Easy. In addition, (almost) everything you are use to eat has to be reduced (not to say eliminated) from your meals, you have to eat every 3 hours, for real, and, especially at this beginning, stick your little fingers before and after meals, when you wake up, and when you go to sleep. Not funny.

Well, it’s been a month since (I discovered that) I’m diabetic. And that change brings a bad feeling in the early days (and, honestly, I’m still in these days). To see whole shelves of sweets and chocolates of different types and flavors and discover that, with great luck, you will find a small bar of diet chocolate (with a pronounced flavor for sweetener rather than chocolate). Or when you see yourself without knowing what you can or can not eat when you want to go out with friends. Or know that this change will affect someone who has nothing to do with it, my husband, and who will be “forced” to cut out sugars and carbohydrates as well. It is a sad and heavy burden.

Anyway, leaving the drama aside… we are back in Finland. And in this post I will start to tell a little, as things are happening too, about my saga of diabetics in Finnish lands. It’s also a way for you to get acquainted with Finnish health care.

Well, in the first hour of Monday we called the neighborhood health center. The nurse talked to me, took the average data from my blood glucose in the last few days and immediately marked my social profile as (probable) diabetic. Soon I had the right to a little device to measure blood glucose, lancets and test strips – all for free. I had already bought a device in Brazil and could even buy only the lancets and test strips here, but the government does not have a contract with the same company to make me available for free and, therefore, gave me a second brand.

During the conversation, the nurse arranged an appointment with the doctor, who already asked me to do some blood tests. Exams done, I went to the doctor. Very attentive, she looked at my exams, even those made in Brazil, evaluated my breathing and my feet (by the way, since I got this new surname, I discovered that feet, eyes and kidneys are the weak points of the diabetic), increase the medicine I got from the Brazilian hospital and scheduled me at a specialized center for diabetics in the hospital.

After four days, the hospital staff called me to schedule the appointment and make some new blood tests. I had this time involving nurse + doctor both diabetes specialists. First blood pressure, weight and a report of the latest blood glucose measurements. Then during the conversation with the doctor, we found that, according to the new tests, my diabetes is type 1. My body still produces insulin, just not enough. Then the medicines were cut off and I started on fast insulin, the one before meals. The proposal is to do a test by Friday. That is, I am now on the second day of insulin and I continue the blood glucose and tomorrow we will know if it is working or not.

Anyway, about the health system for the diabetic here, I found it very good. I don’t know what it’s like in Brazil, after all I was not diabetic (or I was but didn’t know it) when I was there. But here, there is a lovely care and several benefits that I am still discovering and trying to understand.

Wait for the next chapter.

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