O nascimento | The birth

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PT

Acho que pra começar, preciso mencionar o dia que meu filho nasceu… Bom, como comentei no post anterior, meus pais estavam aqui, ajudando com os preparativos todos e aguardando o nascimento do primeiro netinho deles, afinal meu parto estava, a princípio, previsto para ser prematuro. Acontece que, os dias foram passando, a gravidez, graças a Deus, normalizando. Meus pais foram embora na tarde o dia 05 de fevereiro e minha bolsa estourou às 8:25 da manhã do dia seguinte! Sim, meus pais estavam ainda chegando no Brasil enquanto eu estava dando à luz. Coincidentemente também, o dia do nosso aniversário de casamento. Então, sim, nosso filho escolheu um dia especial pra nascer.

Então como eu disse, de manhãzinha minha bolsa estourou. A gente já tinha algumas orientações do que fazer de acordo com a Neuvola, nossa amiga que é parteira e o próprio site do hospital. Então liguei para nossa amiga parteira, porque um dos meus “desejos” era que ela estivesse comigo durante o parto, e fiquei usando a bola de pilates, chuveiro quente e tentando relaxar entre as contrações até que estivessem com intervalos de 5 ou 10 minutos. Aqui acontece algo que me desapontou um pouco, fizemos tudo certinho, e, quando ligamos para o hospital, eu já tinha 6 minutos de intervalo e, ainda assim, me pediram pra ficar em casa ainda. Fiquei um pouco desapontada, porque de acordo com as orientações deles, eu já deveria estar a caminho do hospital, mas ainda assim me disseram pra esperar até que estivessem mais próximas.

Enfim, de qualquer forma, minhas contrações evoluíram muito rápido e pouco tempo depois já pularam para 3 minutos e nós corremos para o hospital. No caminho, nossa amiga já ligou para o hospital avisando que estávamos chegando e explicando como eu estava, ter ela ali nos ajudou muito em vários aspectos. Embora ela não estivesse ali trabalhando, ela tem o conhecimento do que está ou deveria estar acontecendo e isso nos deu um suporte incrível (obrigada Kirsi!).

Eu não cheguei a mencionar no post anterior, mas nas últimas semanas da gravidez, recebi da Neuvola um modelo de plano de parto. O plano de parto não é obrigatório, embora seu preenchimento seja sugerido. Ele consiste basicamente suas expectativas para o nascimento, sua situação familiar, como foi sua saúde física e mental durante a gravidez pelo seu ponto de vista (já que a perspectiva médica já está no seu registro), se você tem alguma doença e como está sendo tratada no momento, dietas, alergias e medicamentos em uso. As partes que me chamaram atenção no plano de parto sugerido por aqui foram essas últimas: aspectos religiosos e culturais que devem ser levados em consideração no tratamento e as expectativas que você tem em relação ao quarto e cuidado no pós parto. Achei que minhas vontades foram respeitadas e o que não pôde ser exatamente como eu gostaria, foi me perguntado e explicado no momento.

No hospital, primeiro passamos por uma enfermeira obstetra, que avalia como a mãe e o bebê estão, em relação a batimentos cardíacos, contrações, pressão arterial, fazem exame de toque, etc. Para ela que entregamos o cartão da mamãe, onde estão registradas todas as consultas da gravidez e o plano de parto. Se está tudo caminhando para o parto mesmo, já ali nos passam uma troca de roupa e vamos ao quarto de parto. Ali também me perguntaram se eu aceitaria que uma estudante acompanhasse a parteira. Honestamente, estava com tanta dor que nem me importei com estudante nenhuma não e, de verdade, para certas coisas, não vejo problema em ter estudantes, afinal eles têm que aprender com alguém, não é mesmo?

No quarto de parto temos várias coisas para ajudar durante as contrações: diferentes bolas de pilates, cadeiras, chuveiro e um negócio que eu não sei o nome, mas que você pode andar com ele e ao mesmo tempo ter um suporte para as mãos. Ali também você pode ter um suquinho para beber durante essa fase do trabalho de parto. Tem poltrona para o papai e tinha uma segunda, que poderia ser para mim, mas ficou com nossa amiga. Eu mesma não tinha condições de sentar em poltrona nenhuma não.

Se você opta por anestesia ou epidural, as parteiras avaliam a quantas vão as contrações para ver o momento exato de ligar para o médico anestesista. Se não, elas continuam avaliando e, inclusive, se sentirem que há a necessidade de anestesia ou epidural, elas vão te sugerir, mas a decisão sempre vai ser sua.

Na hora da expulsão, você pode escolher em que posição gostaria de estar. Tem cadeira, a cama também pode ter sua posição alterada até que esteja confortável para você. No meu caso, fui mudando de posição até uma que ajudasse o bebê a sair. Bom, meu trabalho de parto (desde que a bolsa estourou até o nascimento) durou exatamente 12 horas.

Normalmente, a mamãe e o bebê ficam no hospital por dois dias ou até que o pediatra libere o bebê. No nosso caso, ficamos mais tempo. Por causa da minha diabetes, meu filhinho nasceu hipoglicêmico, precisou ficar em acompanhamento, e depois teve icterícia. Eu tive umas complicaçõezinhas no final, perdi muito sangue, precisei de uma visitinha no centro cirúrgico e, por isso, fiquei em observação também.

Não sei exatamente como é ter um filho no Brasil, mas posso dizer sobre ter um filho na Finlândia. Nem tudo foi perfeito, hoje, dias depois, eu vejo algumas coisinhas que poderiam ter sido melhores ou ter dado mais atenção. Mas, de verdade, não tenho reclamações. Mas posso dizer que, de forma geral, minhas vontades foram respeitadas, o tratamento no quarto e das parteiras todas foi incrível, poder ter meu marido ali e ele ter a experiência de cortar o cordão umbilical e de ter o contato pele com pele com o bebê foi excelente para a relação deles também, o fez sentir mais participativo num momento que, normalmente, é somente da mãe. Fomos acolhidos por todos mesmo nos momentos mais difíceis, como na dificuldade com a amamentação ou quando nosso filhinho tão pequeno ficou dias na observação e não podia dormir com a gente. A equipe foi muito acolhedora e paciente com esses pais de primeira viagem.

Por fim, cabe dizer é que a experiência em si é incrível, de fato, milagrosa.


EN

So to start, I need to talk about the date my son was born… Well, as I mentioned in the previous post, my parents were here, helping with all the preparations and waiting for the birth of their first grandchild, after all, my delivery was, at first, predicted to be pre term. It turns out, my pregnancy, thank God, normalized. My parents left in the afternoon on February 5th and my water broke at 8:25 am the very next day! Yes, my parents were still arriving in Brazil while I was giving birth. Coincidentally too, this was the date of our wedding anniversary. So, yes, our son chose a very special day to be born.

So, like I said, my water broke in the morning. We already had some guidelines about what to do according to Neuvola, our friend who is a midwife and the hospital’s own website. So I called our midwife friend, cause one of my “wishes” was for her to be with me during the birth, and I kept using the pilates ball, hot shower and some songs to relax between the contractions until they were 5 or 10 minutes apart. At this point something happened here that disappointed me a bit, we did everything as we suppose to, and when we called the hospital, I had 6 minutes between contractions and they still asked me to stay home and wait. I was a little disappointed, because according to their directions, I should be already on my way to the hospital, but they still told me to wait until they were closer.

Anyway, my contractions evolved very fast and shortly jumping for 3 minutes and we went to the hospital. On the way, our friend called the hospital to tell them that we were on the way and explained how I was, have to say that having her there helped us in many ways. Although she was not working there, she has the knowledge of what is or should be happening and this know-how gave us an incredible support (thank you Kirsi!).

I didn’t mention it in the previous post, but in the last weeks of pregnancy, I received from Neuvola a birth plan template. The birth plan is not required, although  suggested. It basically consists of your expectations for the birth, your family situation, how has been your physical and mental health during pregnancy from your point of view (since the medical perspective is already on your record), if you have any disease and how it is being treated, diets, allergies and medications in use. The subjects that I found interesting in the birth plan suggested here were the religious and cultural aspects that should be taken into consideration in the treatment and the expectations you have regarding the room and postpartum care. I found that my wishes were respected and have been asked and explained at the time what could not be exactly how I would like to.

In the hospital, we go first to an obstetrician nurse, who evaluates how the mother and baby are in heartbeat, contractions, blood pressure, etc. For her we deliver the mother’s card, where all the pregnancy records and the birth plan. If everything looks like is going to give a birth soon, we have a change of clothes and we go to the delivery room. There they also asked me if I would accept a student accompanying the midwife. Honestly, I was in so much pain that I did not even care about any student or whatever, and I truly don’t see any problem with having students, they would have to learn from someone, do not they?

In the birth room we have several things to help during the contractions: different pilates balls, chairs, shower and a thing that I don’t know the name but that you can walk with it and at the same time have a support for your hands. There you can also have a little drink to drink during this part of labor. There’s an comfy chair for daddy and a second one, which could be for me, but our friend used it. I myself couldn’t just sit in an comfy chair at all.

If you choose anesthesia or an epidural, the midwives evaluate then how are the contractions to see the exact time to call the anesthesiologist. If not, they continue to evaluate anyway, and if they feel the need for anesthesia or epidural, they will suggest, but the decision will always be yours.

At the time of the expulsion, you can choose which position you would like to be in. It has chair, the bed can also have its position changed until it is comfortable for you. For me, I kept changing position until one that helped to put the baby out. Well, my labor (since the water broke to birth) lasted exactly 12 hours.

Normally, the mother and the baby stay in the hospital for two days or until the pediatrician releases the baby. In our case, we stayed longer. Because of my diabetes, my baby was born hypoglycemic, had to be followed up, and then had jaundice. I had a few complications in the end, I lost a lot of blood, I needed to go to surgery and so I was also staying longer there.

I don’t know exactly what it’s like to have a child in Brazil, but I can say about having a child in Finland. Not everything was perfect, today, days later, I see some little things that could have been better or have paid more attention. But, really, I have no complaints. But I can say that, in general, my wishes were respected, the treatment in the room and the midwives were all incredible, being able to have my husband there and he had the experience of cutting the umbilical cord and having the skin-to-skin contact with the baby was excellent for their bound as well, made him feel more part of a time that is usually only the mother’s. We were welcomed by everyone even in the most difficult moments, such as in the difficulty with breastfeeding or when our little child was on observation days and could not sleep with us. The staff was very welcoming and patient with these first-time parents.

Lastly, it should be said that the experience itself is incredible, in fact, miraculous.

3 comentários sobre “O nascimento | The birth

  1. Um relato impressionante. Muito fácil de ler. Apesar de não ter ficado para assistir ao parto, estou muito feliz com o resultado. Vocês foram incríveis. Que possam continuar proporcionando excelente criação a esse filho lindo coroado de amor.

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